Blitz, roda de conversa e oficina de percussão mobilizam jovens do Quilombo do Curiaú, Escola Municipal Guita e Colégio Amapaense no CCN Raimundinha Ramos.
A manhã desta segunda-feira (17) foi de aprendizado, identidade e celebração no 30º Encontro dos Tambores. O Centro de Cultura Negra Raimundinha Ramos (CCN), no Laguinho, recebeu uma série de atividades educativas que envolveram estudantes de diferentes escolas de Macapá, ampliando o diálogo sobre história, cultura afro-amapaense e combate ao racismo no Mês da Consciência Negra.
Blitz contra o racismo abre a programação da manhã
Logo cedo, em frente ao CCNA, uma blitz educativa mobilizou motoristas e pedestres na Rua General Rondon. Integrando a programação oficial do Encontro, a ação levou às ruas materiais informativos, conversas diretas e mensagens de enfrentamento à discriminação racial — reforçando que racismo é crime e seu combate é responsabilidade coletiva.
Participaram da atividade alunos da Escola Estadual José Bonifácio, do Quilombo do Curiaú, dos 7º e 8º anos. Para a estudante Kely Soraia, a iniciativa trouxe reflexões importantes: “Essa ação é muito boa porque a gente e a comunidade entendemos que racismo é crime e que pode e deve ser combatido”.
A coordenadora pedagógica Ana Paula destacou o significado simbólico da presença dos estudantes na programação: “O fato de nossos alunos saírem lá do Quilombo e estarem aqui traz referências para o trabalho que fazemos o ano inteiro. Hoje reforçamos nossa luta contra o racismo e o preconceito. Representamos não só o movimento negro, mas a educação escolar quilombola”.
Fotos Mônica Nascos
Roda de conversa: história, dança e protagonismo feminino
No auditório do CCN, centenas de alunos da Escola Municipal Guita e do Colégio Amapaense, do Estado, participaram de uma roda de conversa ministrada pela coordenadora-geral do Encontro dos Tambores, Elísia Congó. Em uma fala envolvente, ela conduziu os estudantes pela história do marabaixo e do batuque, explicando suas origens, seu vínculo com a resistência negra e seu papel como expressão viva da ancestralidade amapaense.
Elísia também detalhou passos das danças tradicionais, reforçando a importância dos ritmos na memória coletiva do povo negro, e fez um convite aberto para que os jovens participem da programação do evento.
A coordenadora destacou ainda o protagonismo das mulheres negras na ocupação de espaços culturais, políticos e sociais.
“A cultura que herdamos não é algo para ficar guardado. Ela precisa ser vivida, sentida e continuada por vocês. O marabaixo e o batuque existem porque um povo inteiro decidiu resistir. E hoje, ver tantos jovens aqui, aprendendo e se reconhecendo nessa história, mostra que estamos no caminho certo. A participação de vocês é o que garante que nosso tambor nunca pare de bater”, falou Elísia.
Oficina de percussão: ritmo, identidade e pertencimento
A programação continuou com a Oficina de Percussão de Marabaixo, ministrada pelo marabaxeiro e tocador Leonardo Palheta, integrante do Grupo Raízes da Favela. Alunos da Escola Guita participaram do momento, experimentando caixas, tambores e ritmos que compõem o marabaixo. A oficina uniu animação e aprendizado, aproximando os estudantes do ritmo que é marca fundamental da cultura amapaense.
As ações fazem parte da extensa programação do 30º Encontro dos Tambores, realizado pela União dos Negros do Amapá (UNA) e Instituto Língua Solta, com patrocínio cultural do Governo do Amapá, por meio da Fundação Marabaixo e Secult; e apoio da Prefeitura de Macapá e da Fundação Nacional de Artes (Funarte).
Com atividades que unem rua, diálogo e prática cultural, o Encontro também é espaço formativo e de valorização da identidade negra, especialmente entre as novas gerações que seguem fazendo ecoar “O tambor que nos une”.
Fotos: Rafaelli Marques
Serviço:
Assessoria de comunicação do 30° Encontro dos Tambores
Texto: Rita Torrinha
Fotos: Mônica Nascos, Rafaelli Marques e Gabriel Penha
Local: Centro de Cultura Negra Raimundinha Ramos (Rua General Rondon, N° 803, Laguinho)
Acompanhe as informações:
Portal da UNA: unaccna.com.br
Instagram: @una.ap
Facebook: União dos Negros do Amapá
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